Divagações
   Mudança de endereço

Depois de alguma relutância, optei por mudar o endereço do Divagações. A partir de hoje, as atualizações serão feitas em http://azel.blogspot.com. Esta versão do UOL permanece a título de arquivo, e pode até ser que em momentos de crise criativa eu "requente" alguns posts. Foi ótimo divagar por aqui, sentirei falta de alguns dos serviços que tornam os blogs do UOL tão pitorescos. Não obstante, uma mudança estética não há de ser má.
 
Agradeço aos leitores generosos que vêm acompanhando este espaço e agora os convido a mais um clique.
 
Até logo,
Rodrigo.
 


 Escrito por Rodrigo Farias às 17h20
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   Dilema

Estou considerando a idéia de mudar o endereço do Divagações. Visitando o blog de um amigo no Blogspot, descobri que o número e a qualidade dos modelos de lá aumentaram muito, daí a tentação da mudança. Reativei uma conta já quase esquecida, readaptei-me às peculiaridades técnicas e rascunhei uma nova versão deste modesto refúgio de pensamentos e citações.

Encontro-me no dilema de mudar ou não mudar. Que pensam vocês, meus poucos e fiéis leitores? Gostaria de ouvi-los. O endereço do "outro" blog é http://azel.blogspot.com.

Um abraço fraterno,
Rodrigo.



 Escrito por Rodrigo Farias às 22h51
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   Um dia com Vladimir Palmeira

"Se você quer conhecer a direita, vá ler Roberto Campos, que é quem acrescenta. Não Olavo de Carvalho". Noutros tempos eu faria uma objeção, mas não desta vez. Quando Vladimir Palmeira, o legendário líder estudantil dos anos 60, se anima a discorrer sobre política, convém prestar atenção. Ouvindo-o falar com a desenvoltura e a simplicidade que lhe são típicas, realçadas pela informalidade erudita da aula, não pude deixar de registrar o conselho. O simpático sessentão à minha frente, de topete cada vez mais ralo e sotaque nordestino, tinha credenciais para isso.

Um desafio ambulante aos estereótipos apocalípticos do esquerdista tão queridos e propalados por Olavo e cia., Vladimir tornou-se com o passar dos anos uma espécie de franco-atirador do bom-senso. Lança petardos irônicos mas certeiros à direita e à esquerda, mas é especialmente severo com seus camaradas de campo político. "A esquerda no Brasil parou na II Internacional, por isso é que todo o mundo é estatista e nacionalisteiro", declara. "O marxismo se tornou a ideologia oficial dos professores de História", daí os livros didáticos conterem simplificações e confusões conceituais grosseiras, das quais uma das mais evidentes é o uso e abuso do termo "burguesia": "Fala-se de 'burguesia' no século XVI e no século XIX como se fossem a mesma coisa, e não são", uma das conseqüências da contaminação por esquematismos doutrinários que grassam no campo. Contaminação essa, aliás, que nada tem de propriamente acadêmico, já que para Vladimir um dos grandes problemas para quem se pretenda marxismo é distinguir entre sua parte doutrinária, dogmática, de caráter um tanto religioso e até escatológico, e a abordagem científica. São elementos entrelaçados, que infelizmente são aceitos acriticamente há décadas numa série de mal-entendidos, interpretações forçadas e temores sagrado.

O marxismo morreu? Para Vladimir, não. "O marxismo influenciou a mentalidade mais do que o mundo", diz, referindo-se às contribuições que a abordagem de Marx e Engels deram às ciências humanas, sobretudo no âmbito metodológico. Na História, por exemplo, foram eles influências fundamentais para a chamada Escola dos Annales, que moveu uma cruzada contra a história factualista e superficial, afeita a grandes homens e grandes feitos, que predominou no século XIX e início do XX. Seria tolice rejeitar esse legado concreto, como certos fósseis anticomunistas gostariam que fosse feito, por razões muito diferentes de preocupações científicas ou filosóficas. Por outro lado, para dar conta do capitalismo de hoje, o marxismo teria de passar por uma atualização ampla, e seriam precisos uns "dez Marx" para esse empreendimento. Coisa, aliás, que a maior parte da esquerda, atolada em slogans, mecanicismos e aspirações que há muito caducaram, não é capaz de fazer. A superação do estatismo e do planejamento econômico à la URSS certamente teria de constar dessa agenda.

É possível pensar um socialismo viável após a ruína do bloco comunista? Ele acha que sim, e diz que isso incluiria um elemento que ainda horroriza as hostes vermelhas: o mercado. Sim, e isso mesmo: qualquer regime econômico viável para o velho militante tem de incorporar a menina-dos-olhos dos liberais. O velho sistema de oferta e demanda espontâneas. "Ora", dirá um saudosista do PCB, "mas isso não é capitalismo!?". Aí é que está: o socialismo não se define, como muitos pensam por conta da URSS, por economia planificada e artificial, e sim pela posse socializada dos meios de produção. Por posse socializada, não se quer dizer posse estatal, e tampouco gerenciamento por burocratas, e sim a gestão desses meios de produção pelos trabalhadores que nele trabalham de alguma forma. Mas cada empresa atuaria obedecendo ao sistema de mercado, tendo de sobreviver por conta própria e correndo o risco de falência exatamente como acontece numa economia capitalista. É o que Vladimir chama de “socialismo de mercado” ou autogestionário.

A idéia não é nova. Na verdade, até o termo “socialismo de mercado” já é adotado com pelo menos mais dois significados além desse: capitalismo de estilo social-democrata e sistema misto de múltiplas formas de propriedade. Diz Vladimir que nos anos 80 a autogestão foi muito debatida, mas ainda dentro de um pensamento ainda preso a certos ranços estatistas. Perguntei-lhe quem, especificamente, estaria pensando nessa questão, mas ele não indicou nenhum autor específico, dizendo apenas que tinha certeza de que havia mais gente tentando desenvolver essa idéia. Infelizmente, o fim da aula já se aproximava e não foi possível pedir mais detalhes. Inclusive sobre como se poderia instalar um tal modelo de forma pacífica, se é que ele acreditava que isso seria possível.

Considerando que as discussões políticas que tenho podido acompanhar não têm ido além do esquerdismo rasteiro de graduandos, de um lado, e o discurso raivoso e igualmente vulgar dos neo-direitistas virtuais, assistir à exposição de Vladimir foi alentador. Trata-se de alguém que é capaz de criticar o um sistema como o marxismo sem satanizá-lo ou reduzi-lo a uma caricatura, procurando extrair o que ele ainda tem a oferecer dentro de seus limites, sem para isso ter de soar a trombeta do armagedom olaviano ou se valer da velha cantilena radical. É alguém que, a despeito de qualquer posição ideológica, ganhou o meu respeito.



 Escrito por Rodrigo Farias às 00h56
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   Noturno

Brumoso navio
o que me carrega
por um mar abstrato.
Que insigne alvedrio
prende à idéia cega
teu vago retrato?

A distante viagem
adormece a espuma
breve da palavra:
- máquina de aragem
que percorre a bruma
e o deserto lavra.

Ceras de mistério
selam cada poro
da vida entregada.
Em teu mar, no império
de exílio onde moro,
tudo é igual a nada.

Capitão que conte
quem és, porque existes,
deve ter havido.
Eu? - bebo o horizonte...
Estrelas mais tristes.
Coração perdido.

Sonolentas velas
hoje dobraremos:
- e a nossa cabeça.
Talvez dentro delas
ou nos duros remos
teu NOME apareça.

(Cecília Meireles)



 Escrito por Rodrigo Farias às 15h11
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   Amor & Fidelidade

O artigo a seguir me deixou chocado. Não pelo tema em si, ou pela forma brilhantemente simples como a idéia é apresentada. Não. O que me causou impacto foi que, lendo-o, percebi como os valores vigentes hoje em relação a relacionamentos e concepções de amor se chocam com a idéia por trás de uma das nossas instituições mais antigas e fundamentais. Uma obviedade, dirão. Mas certas obviedades precisam ser enunciadas de vez em quando.

Antes, casávamo-nos por compromisso, segurança ou, como denunciava Paulo de Tarso em uma de suas epístolas, para "não nos abrasarmos", mantendo nossos desejos dentro dos limites do dever. Aos poucos, os séculos foram nos ensinando a valorizar mais os sentimentos e menos as convenções, ou pelo menos a tentar juntar as duas coisas. Hoje, porém, essa tentativa parecer ter chegado a um paroxismo: o sentimento (não raro o impulso) adquiriu uma proeminência tamanha que o casamento parece ser visto mais como uma espaço de eterna delícia, tendo o divórcio como cirurgião em caso de satisfação inferior a 100%. Há toda uma ideologia romântica, a que já me referi em posts anteriores, que não raro exacerba expectativas e contribui para minar as chances de sucesso de qualquer relação estável. Numa época em que tantos casamentos mal chegam a cinco anos e terminam por razões frívolas, o texto de Kanitz é um lembrete útil do que significa o mais antigo dos enlaces.



VEJA, 29 de setembro de 2004

Ponto de vista: Stephen Kanitz
O contrato de casamento

"Casamento é o compromisso de aprender
a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia
de forma construtiva, o que muitos casais não
aprendem, e alguns nem tentam aprender"



Na semana passada comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: "Coisa rara hoje em dia". De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato. Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo "vou sempre amar você", como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro. Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher "ideal" para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu "verdadeiro amor" estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação. Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: "Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia". Homens e mulheres que conheceram alguém "melhor" e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento. O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre. Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros "melhores". Eles aprendem a conviver com os pais que têm. Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda, e num próximo artigo falarei sobre esse assunto. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h51
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   Revendo conceitos: globalização

Quando uma palavra ou expressão é muito repetida como solução e explicação última para um grande número de coisas, de modo que nem mais pensamos em defini-la, há uma grande probabilidade de que ela seja mal compreendida. "Justiça social", por exemplo, representa melhor distribuição de renda para uns e ditadura do proletariado para outros; "liberdade" pode variar do livre-arbítrio moral, mais abstrato, à defesa de um privilégio ou "direito especial" (cotas universitárias, por exemplo) ou a negação de um dever socialmente estabelecido (como sonegar de impostos). Enfim, o sentido das palavras mais comuns pode ser torcido à vontade, sem que nos demos a devida conta.

"Globalização" é uma dessas. Todo o mundo fala, quase ninguém sabe direito o que é. Ataca-se e defende-se, num dilúvio de literatura acadêmica, política e jornalística, mas quanto se lembram de verificar o sentido e a sua validade empírica? Nesse sentido, é saudável que surjam livros como "Globalização em Questão: A economia internacional e as possibilidades de governabilidade", de Paul Hirst e Grahame Thompson, Ed. Vozes. Transcrevo aqui o prefácio, para servir de estímulo à leitura e alerta aos visitantes em geral.
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"O brasileiro tem alma de cachorro de batalhão; aparece uma palavra nova e sai todo mundo atrás". A frase de Nelson Rodrigues descreve exatamente o que aconteceu com a "globalização". O assunto virou uma verdadeira mania nacional. A atitude varia do encantamento ao pânico, do fascínio à repulsa. Mas há um quase consenso de que se trata de um debate altamente prioritário.

O que tem faltado em toda essa discussão é uma certa dose de ceticismo. Poucos se dão ao trabalho de examinar os dados básicos do quadro econômico internacional e confrontá-los com a retórica barulhenta dos entusiastas e dos adversários da "globalização". Quem o fizer, verá que tem havido grande exagero e mistificação quanto ao alcance e à novidade do processo de expansão das atividades econômicas internacionais nestas décadas finais do século XX.



 Escrito por Rodrigo Farias às 11h48
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Não há dúvida de que tem ocorrido forte expansão das transações internacionais, especialmente no terreno financeiro. A ninguém escapa que o progresso técnico em áreas como informática e teleco- municações, associado à diminuição do,s custos de transporte, tem favorecido a integração dos mercados nacionais e a internacionalização dos processos de produção em muitos setores da economia.

E preciso, entretanto, acautelar-se contra as interpretações exa- geradas e até fantasiosas que se constroem e divulgam a partir desses fenômenos reais. Tanto mais que esses exageros e fantasias estão longe de serem politicamente inocentes.

Ao contrário do que sugere o uso generalizado de expressões como "globalização" ou "mundialização" da economia, os mercados nacionais continuam preponderantes, sobretudo nos países maiores. A demanda interna absorve uma parcela largamente predominante da produção de bens e serviços e responde pelo grosso dos empregos gerados. Na grande maioria dos países, mesmo em desenvolvimento, a poupança externa financia uma parte relativamente pequena da formação bruta de capital fixo. Os mercados nacionais de trabalho permanecem altamente segmentados por políticas restritivas de imi- gração e outros obstáculos à entrada de trabalhadores estrangeiros. As empresas, inclusive aquelas que operam intensamente no campo internacional, não se desvinculam dos seus países de origem e têm, em geral, um centro de gravidade nacional claramente identificável; na sua grande maioria, não são "transnacionais", mas empresas nacionais com atuação no exterior. Mesmo no campo das finanças, a internacionalização recente tem precedentes históricos e é mais limitada do que alega a maioria dos analistas e comentaristas econômicos. A despeito da rápida expansão das transações internacionais nos últimos trinta anos, os movimentos líquidos de capital, em relação ao tamanho das economias, ainda são menores do que foram nas décadas anteriores à Primeira Guerra Mundial. O grosso da poupança fica nos países onde é gerada. E como grande parte dos fluxos financeiros internacionais é composta de capitais de curto prazo, que se deslocam rapidamente em resposta a mudanças nas, condições financeiras, os países não podem apoiar os seus planos de desenvolvimento na absorção de recursos externos. Aqueles que se envolvem excessivamente com os instáveis mercados financeiros intefnacionais e acreditam demais nas promessas e oportunidades da "globalização financeira" acabam submetidos a crises cambiais e finariceiras, com graves conseqiiências em termos econômicos, sociais e políticos.

Este livro de Paul Hirst e Grahame Thompson é um valioso antídoto contra as falácias e vulgaridades que marcam o debate sobre a "globalização". Na vasta literatura sobre o tema, poucos trabalhos se comparam a este. Os autores demonstram, com rigor e riqueza de detalhes, que a "globalização" é, em grande medida, um mito, uma ideologia que tende a paralisar as iniciativas nacionais.

Em um país como o nosso, ainda marcado pelas inibições e hábitos mentais do período colonial, a ampla difusão de avaliações extravagantes sobre a suposta "globalização" ou "mundialização" da economia tem produzido estragos consideráveis. A qualidade do debate tem deixado muito a desejar. Nunca tantos disseram tanta bobagem em tão pouco tempo. Segundo as versões mais exaltadas, estaríamos indefesos diante de movimentos irreversíveis e forças internacionais avassaladoras. Aos Estados nacionais, especialmente na periferia subdesenvolvida, só restaria a submissão e a aceitação passiva de um processo inexorável de desenvolvimento das forças produtivas em escala global.

Cria-se, desta maneira, um ambiente intelectual ideal para adotar as políticas econômicas e sociais favoráveis aos interesses econômico-financeiros que operam no plano internacional. Evidentemente, não se trata de um fenômeno brasileiro. Como observou Michel Rogalski, em muitos países, inclusive desenvolvidos, a "mundialização" é invocada para facilitar a aplicação de políticas que beneficiam os setores mais ligados ao exterior, em detrimento muitas vezes da maior parte da população.

A ideologia da "globalização" funciona, além disso, como conveniente cortina de fumaça. Os governos têm-se servido da "globalização" para isentar-se de responsabilidade por tudo de negativo que acontece na economia, transferindo-a para o âmbito de forças supranacionais fora do seu controle. Se aumenta o desemprego, por exemplo, logo aparece quem se disponha a atribuir o fenômeno à "globalização". Se empresas nacionais são absorvidas por grupos estrangeiros, a explicação é imediata: são as exigências da competição em uma economia "globalizada". Se o país aparece como vulnerável a turbulências financeiras externas, a culpa é da instabilidade dos mercados financeiros "globais". A "globalização" virou pau para toda obra. É desculpa para tudo e desfruta, além disso, da imortal popularidade de explicações que economizam esforço de reflexão.

Foi em boa hora, portanto, que a editora Vozes resolveu publicar este livro em português. Contribui, assim, para que o leitor brasileiro tenha acesso a análises mais objetivas e fundamentadas do contexto internacional e possa defender-se melhor de ideologias que correm o mundo em busca de consumidores desavisados.

Paulo Nogueira Batista , professor da Fundação Getúlio Vargas.

 



 Escrito por Rodrigo Farias às 11h42
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   Para futuros autores...

...uma "grande" novidade. E assim se vão minhas esperanças de um dia escrever um romance e, quem sabe, enriquecer e prosperar como o Balzac dos trópicos... Pelo visto, o jeito é fazer um concurso e entrincheirar-me numa sinecura, recebendo uma pequena fortuna do Estado para garantir o trânsito de inúmeros papéis timbrados. Afinal, quem precisa de neurônios ativos quando se tem um emprego público estável e sobre-remunerado?

(Do site http://www.comciencia.br)

 

Mercado editorial brasileiro é fraco,
diz pesquisa divulgada no Rio

Os pesquisadores Fábio Sá Earp, da UFRJ, e George Kornis, da UERJ, divulgaram no dia 16 de setembro, na abertura de uma feira conhecida como Primavera dos Livros, no Rio de Janeiro, os resultados de um estudo que reuniu estatísticas anuais da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional de Editores de Livros, e comparou-as com dados de outros países. Segundo a pesquisa, enquanto o Brasil produz cerca de 1,8 exemplares por habitante a cada ano, na França, a produção anual é de aproximadamente 6,7 exemplares por habitante. Nos Estados Unidos, onde a população é 1,5 vez maior que a do Brasil, a compra de livros pelo governo destinada a estudantes é seis vezes maior que aqui. No Japão, um livro custa em média 0,35% da renda média per capita daquele país, enquanto no Brasil, apesar do preço médio de um livro ser 2,8 vezes menor que no Japão, ele representa 1% da nossa renda média per capita. A pesquisa de Earp e Kornis, que durou um ano e meio e foi financiada pelo BNDES, também revela que nos últimos oito anos o faturamento das editoras brasileiras caiu 48% e o número de exemplares vendidos diminuiu 50%.

 



 Escrito por Rodrigo Farias às 11h55
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21/09/2004 - 06h30
Tóquio estuda normativa para proibir sexo entre adolescentes

Tóquio, 21 set (EFE).- O governo municipal de Tóquio estuda a possibilidade de implantar uma ordem que obrigue pais e tutores a impedir que seus filhos adolescentes mantenham relações sexuais, indicaram hoje, terça-feira, funcionários municipais.

Segundo as fontes, citadas pela agência Kyodo, há uma forte divisão no seio da própria Prefeitura da capital sobre a conveniência de aplicar uma normativa que, segundo seus defensores, "tenta frear a transmissão de doenças sexuais e abortos entre os jovens".

Os que rejeitam na Prefeitura este curioso projeto de ordem, ressaltam que seus efeitos serão contraproducentes, dado o delicado do tema e seus efeitos na vida familiar.

O principal defensor da idéia, o tenente prefeito de Tóquio, Yutaka Takehana, um ex-policial que atualmente se encarrega de questões juvenis na Administração metropolitana, ressaltou que a aplicação da medida não implicaria em qualquer sanção penal.

"Ao estabelecer essas obrigações aos pais e outros adultos, a fim de que se esforcem nesse sentido, se poderá transmitir essa mesma determinação (para acabar com o "problema") aos meninos", disse Takehana.

Por enquanto, a Administração criará amanhã um comitê de especialistas, entre os quais haverá professores de ensino secundária, para examinar o projeto de ordem e outras questões relacionadas com o sexo juvenil, além de recomendar outras medidas alternativas.

Segundo a Prefeitura, nos últimos anos se disparou a "atividade sexual" entre os adolescentes desta cidade de doze milhões de habitantes, em uma boa parte dos casos sem proteção de anticoncepcionais.

Em uma enquete feita por professores de institutos e centros de educação secundária na capital japonesa em 2002, 6,8% dos meninos e 8,7% das meninas perguntadas reconheciam que começaram a ter relações sexuais aos 14 ou 15 anos de idade.

Em declarações a Kyodo, o ginecologista Tsuneo Akaeda, que faz parte do citado comitê de especialistas da Prefeitura de Tóquio, explicou que "há muitas adolescentes que não sabem dizer não a um menino de quem gosta e que lhes pede para manter uma relação sexual".

Por isso, acrescentou, "o que tem de mau se for feita uma ordem que proíba os jovens de praticar sexo antes dos 15 anos?".

Sayoko Ishii, um advogado especializado em problemas familiares e juvenis, manifestou a Kyodo uma opinião contrária a essa normativa.

"Ao dizer a eles 'não' com uma ordem, a única coisa que vamos provocar é a rebeldia entre os jovens e aumentar as desditas dos pais", afirmou Ishii.



 Escrito por Rodrigo Farias às 11h36
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   O absurdo como mérito

“Com uma atmosfera saturada de relatos de achados científicos contrários ao senso comum; poemas e peças e pinturas ‘que são expressões do nosso tempo’, na verdade enigmas sem uma pista; teorias críticas a nos ensinar que os significados superficiais são uma fachada e que só os ocultos realmente importam; ou ainda, que não havendo intenção por parte do autor, não há qualquer significado distinguível na obra; enfim, leis e regras que nos enredam em situações fantásticas (...) — tantos encontros diários com o absurdo o tornaram parte da nossa mobília mental regular. (...) Qualquer doutrina ou programa que reclame o mérito de ir contra o senso comum já tem uma presunção a seu favor — uma grande descoberta se anuncia. Enquanto antigamente o seu proponente seria considerado um charlatão, hoje ele é o portador da novidade e da luz.”

 

Jacques Barzun, “From Dawn to Decadence”, pp. 757-758 (grifo meu).

 Escrito por Rodrigo Farias às 11h17
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   Tragédia

Finou-se meu HD, com apenas um aninho e pouco de idade. Com ele, foram-se meses e meses de vida virtual, incluindo endereços de email e Internet, apostilas de aula, textos inumeráveis, softwares etc.

É triste a despedida. Que a lixeira lhe seja leve.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h50
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   O Espectro Político

Um dos instrumentos mais curiosos da Internet no que diz respeito  a ideologias políticas é o teste oferecido pelo site The Political Compass. Trata-se de um questionário para indicar o posicionamento do visitante no espectro político, entendido ali como formado por dois eixos: o econômico, com as tradicionais esquerda e direita; e o da liberdade social, que vai de libertário a autoritário. Além do teste, oferecem-se como exemplos o posicionamentos de certas celebridades no espectro, como Gandhi, Mandela e Hitler, mostrando como certas idéias do senso comum sobre eles devem ser reavaliadas. O velho Adolf, por exemplo, embora estivesse no extremo autoritário do espectro da liberdade, junto com seu inacreditável aliado ocasional Stálin, estava bem menos à direita no eixo econômico do que Margareth Thatcher. Mas certamente não era, por outro lado, o socialista disfarçado que tanto liberais proclamam.

Meus índices foram -4,75 na economia e -3,33 na liberdade, o que me classifica como "libertário de esquerda" (não confundir com anarquismo). Embora o teste não possa ser considerado uma medida absoluta (as respostas oferecidas nesses questionários são sempre limitantes), parece-me uma ótima idéia nestes tempos de confusão, em que "liberal" é esquerda num país e direita no outro, e libertário ora é anarquista, ora é qualquer um que não seja queira, por exemplo, usar o Estado para impor a moral religiosa que professa.

Abaixo, o gráfico utilizado.

 

 

 

 

Meu posicionamento seria mais ou menos o de Gandhi, embora um pouco mais à direita. Curiosamente, muitos de meus amigos ficariam bem à direita, um ou outro em algum grau moderado do plano autoritário. Isso me sugere que o peso dessas posições ideológicas no meu círculo social (arrisco-me a dizer que também na maior parte da minha geração) definitivamente não é o que já foi para gerações anteriores. Penso que isso é muito bom, por um lado, por não condicionar relacionamentos pessoais a posturas públicas -- justamente o que torna infernal a companhia de tantos militantes; mas, por outro, eu me pergunto se não haveria aí também um sintoma, embora positivo, do tão falado esvaziamento político da juventude, uma indiferença às causas que um dia mobilizaram multidões e, com elas, a perspectiva de tornr este um mundo melhor.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h09
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   Escrita

“Escrever! Poder escrever! Isto significa o longo devaneio diante da folha em branco, o rabiscar inconsciente, o brincar da pena que gira em torno do borrão de tinta, que mordisca a palavra imperfeita, enche de garras, de flechazinhas, orna-a de antenas, de patas, até que venha a perder a sua figura legível de palavra, metamorfoseada que foi em fantástico inseto, borboleta-fada que alçou seu vôo.

 

Escrever... É o olhar fixo, hipnotizado pelo reflexo da janela sobre o tinteiro de prata, é a divina febre que assoma às faces, à fronte, enquanto uma bem-aventurada morte gela sobre o papel a mão que escreve. É também o pleno olvido da hora, a indolência no macio divã, essas bacanais do espírito inventivo donde saímos curvados, embrutecidos, mas já recompensados, mensageiros dos tesouros que, sob o pequeno círculo de luz que a lâmpada descreve, serão entornados na página virgem...

 

Escrever! Tentação de purgar raivosamente tudo de mais sincero que nos vai pela alma adentro, e rápido, com aquela rapidez que faz a mão relutar e protestar contra o deus impaciente que a guia... depois encontrar, no dia seguinte, em vez do ramo de ouro, miraculosamente desabrochado na hora flamejante,  um espinheiro seco, uma flor abortada...

 

Escrever! Gozo e sofrimento dos ociosos! Escrever! ...Bem que experimento, de tempos em tempos, essa necessidade, intensa como a sede no verão, de anotar, de exprimir... E pego então da pena, para dar início àquele jogo perigoso e traiçoeiro que, através do bico duplo e flexível, apanha e fixa o mutável, o fugaz, o apaixonante adjetivo...”

 

 

Gabrielle S. Collette, A Vagabunda



 Escrito por Rodrigo Farias às 18h34
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   Insatisfação

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."

William Shakespeare



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h04
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   A alma humana é uma caixa de Pandora...

...mesmo que liberte males sem conta, em seu interior sempre resta a Esperança.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h55
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   Pílulas musicais

Para aqueles momentos de leveza e auto-satisfação que bem merecem alguma elegância mais... barroca: Wood Carving Partita.

Já para aqueles de maior introspecção, quase melancolia, nem por isso menos melodiosos na sinfonia de nossas vidas: Dance of Pales.

Três vivas para a Konami!

 



 Escrito por Rodrigo Farias às 11h18
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   Não estamos no fundo poço...

pois nunca se está tão baixo que não se possa cair um pouco mais:

http://www.olavodecarvalhopresidente.org



 Escrito por Rodrigo Farias às 13h25
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   Vida e poesia

A lua projetava o seu perfil azul
Sobre os velhos arabescos das flores calmas
A pequena varanda era como o ninho futuro
E as ramadas escorriam gotas que não havia.

Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
– Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
Só os perfumes teciam a renda da tristeza
Porque as corolas eram alegres como frutos
E uma inocente pintura brotava do desenho das cores

Eu me pus a sonhar o poema da hora.
E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
Talvez ao pressentir na carne misteriosa
A germinacão estranha do meu indizível apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
Que ao vê-lo trilar sobre os teus dentes como um címbalo
E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
E marulhar entre os teus seios como uma onda
Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
De que me tivesses possuído antes do amor.


Vinícius de Moraes



 Escrito por Rodrigo Farias às 13h25
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