Divagações
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Há dias em que tudo parece mais vivo e colorido, belo e pulsante. O mais leve golpe de vento recorda antes um afago que uma brisa, a paisagem como que transpira uma aura de vida, tudo parece tão pronto e à espera... Do quê? Um chamado primevo, uma urgência indefinida, um apetite vago que persiste, sugere que algo em mim responde a essa expectativa, como se o universo apenas aguardasse um gesto para entregar seus mais íntimos segredos... Mas qual gesto? Que ato de poder responderia a esse clamor? A razão se cala, impotente. Mas a necessidade, ah, essa não arreda de seu posto. Permanece se agitando em brumas interiores, clamando em silêncio por um não-sei-quê. (Seria um não-sei-quem?)

Contudo, é nesses dias radiosos plenos de insaciedade que me sinto mais vivo. Se as chaves do Cosmo estão a apenas um passo — um passo que jamais será dado por falta de direção —, sua proximidade é como um tônico em todos os sentidos. Sua evolações inebriam de poder, e olhar para trás sob sua influência é ver em panorama todas as conquistas e vitórias de uma vida ainda muito curta para merecer juízo. É, por instantes, ver a vitória até nas derrotas, essas infalíveis professoras da humildade. É, em seguida, olhar a face encoberta do futuro e bradar: “Seja bem-vindo!”

Nestes momentos de glória inexplicada, o mundo se traduz num poema indescritível, numa prosa inenarrável. Mas, ainda assim, é preciso transmiti-lo de alguma forma, compartilhar a energia titânica de seus versos mudos, a música de sua harmonia intuída, a beleza da sua luz invisível. Como profeta recém-infundido pelo sopro de Deus, olho em redor, sôfrego por um ouvinte, por uma alma-irmã capaz de beber no mesmo cálice de êxtase e ouvir, ardorosa, a mesma revelação.

Quase posso vê-la, também ela ansiosa por um (re)encontro a um acaso feliz de distância. O caminho para ela surge claro à frente, e o oceano de rostos indiferentes se parte como outrora no Egito... Mas ao primeiro passo ao seu encontro, as ondas tornam a se fechar, os segredos eternos desvanecem-se e o Espírito se retira...  

Não é hora ainda. 



 Escrito por Rodrigo Farias às 02h32
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Carta de Coelho Neto ao víúvo senador Arthur Índio do Brazil por ocasião da morte de Clarisse Índio do Brazil


Meu Amigo,

Se o sol, quando tramonta, desaparecesse de todo, o mundo pereceria gelado. O calor do astro, sob a cinza da noite, é que mantém a vida na sua  continuidade perene.

Quem diz, falando de um ente extincto - morreu - nunca verdadeiramente o amou. Se na ausência entrasse o esquecimento, andaríamos sempre a refazer a união, porque a vida é um ir e vir constante como o das ondas. Mas para o verdadeiro amor o tempo é como o infinito, que não se mede, e nelle vale tanto um minuto como as eras.

O amor, na sua verdadeira significação sublime, é o sentimento absoluto e, como sentimento, é alma sendo, por sua origem, immortal.

O que se quebrou na pedra do sepulcro foi o vaso da perfeição; a essência, essa, impregnou-se-te n'alma, fundindo-se, para o todo sempre, no  teu próprio eu.

Quando a ouvias nas suas palavras carinhosas; quando lhe fitavas o olhar em que se reflectiam as virtudes, não era o vulto de mulher que te  encantava, a forma humana, airosa como o lírio do Evangelho, mas o espírito,  e esse não teve o túmulo porque sua voz ficou no teu coração, o seu olhar fixou-se em tua alma e, onde quer que estejas, no silencio ou no rumor, na claridade ou na treva, hás de ouvir a harmonia meiga que se abemolava para acariciar teu nome, hás de ver a luz doce que irradiava como a aureola da tua vida.

Assim, ella vive e, mais do que nunca, comtigo, não mais em tua companhia, como tua sombra, mas em ti mesmo, como tua alma. Deus, quando nos assoprou o seu Espírito, deu-nos um pouco de  eternidade e essa partícula divina, que em nós temos, chama-se memória. É  como um ramo de folhas sempre verdes em que se abre a flor immarcessivel da saudade cujo perfume é um filtro que nos transporta ao Passado e ressuscita os mortos.

Antigamente ella vivia num corpo e só te apparecia quando estava presente. Hoje ella vive em tudo que te cerca: a tua casa, o teu coração, o  espaço, as horas todas estão cheias della. O mundo tornou-se todo elle um  espelho em que ella se reflecte e, onde quer que teus olhos se fitem, ahi  verás a imagem adorada que te acompanha, como o próprio Deus omnipresente.

Choral-a! Porque? Nas lágrimas desfazes o coração, que é o seu relicário e, gotta a gotta, vais diluindo a lembrança, que deve ser perpetua.

Conserva-a na saudade, e quando, nos teus êxtases de esposo enamorado,  quizeres vel-a, volve sobre ti mesmo, olha para dentro de ti e hás de  descobril-a fazendo na morte a caridade amorosa de consolar-te como na vida - e não foi outra a sua missão na terra -mitigava piedosamente as  dores dos pobrezinhos.

A imagem rolou do altar, mas a fé subsiste.

Eleva o coração, meu amigo, eleva-o bem alto, até Deus, e lá verás, no esplendor ethereo, aquella que foi o amor, a doçura, o anjo do teu  lar.

Coelho Netto



 Escrito por Rodrigo Farias às 01h27
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   Consolações contemporâneas

 Existem pessoas talentosas. Não são o tipo mais comum, mas existem em boas quantidades. Você mesmo deve conhecer algumas (no caso de não se incluir entre elas): um primo que desenha muito bem sem nunca ter feito curso, uma amiga que fala muito bem e de improviso etc. Aqui e ali, saltam à vista da sociedade como pequenas estrelas num mar de escuridão homogênea e indiferenciada. Geralmente, é a elas que dirigimos nossos primeiros ensaios na arte da inveja, e é a sua imagem que nos persegue em momentos de auto-comiseração e crise de auto-estima comparativa. Os talentosos, essas raça ubíqua e odiosa, pesadelo de nossa mediocridade tranqüila.

Mas a hierarquia das coisas humanas não pára aí. Acima dos talentosos, vem aquela epifania da Natureza, o gênio. Esse ser misterioso costuma aparecer do nada — numa reportagem de TV, numa pequena demonstração involuntária na escola — e esfregar na nossa cara a condição humana. Pode-se invejar o talento, até emulá-lo e, com esforço, alcançá-lo; mas o gênio é a perfeita subversão do universo. Está além de qualquer alcance. O gênio transcende. As coisas não funcionam para ele como funcionam para nós, pelo menos dentro da área específica de sua genialidade (sim, os gênios, como os operários e os grandes advogados, são especialistas, só que natos). Nós, meros mortais carentes do fogo de Prometeu, temos de ir buscá-lo no topo da montanha; o gênio é a própria pira em que ele arde. Nós usamos uma habilidade; ele a encarna. Para usar um exemplo conhecido, Salieri era músico; Mozart era a Música.

Não há lição de humildade mais amarga, diria até massacrante, que topar com o gênio na área em que se deseja atuar. É um míssil no amor-próprio. Imagine-se, aos cinco anos de idade, na escolinha de música, mostrando para a professora seus primeiros acordes. Ao fim, seus olhinhos inocentes se erguem para ela, cheios da esperança de retribuição, da certeza de que virá um elogio e até um certo deslumbramento como o que papai e mamãe sempre têm em casa. Mas suponha que, sem qualquer comentário, logo depois, ela peça ao pequeno Wolfgang que faça uma demonstração. Após alguns segundos, há noventa e nove chances em cem de que sua promissora carreira musical está acabada por três encarnações.

Por que tamanho desfavor? É um dos mistérios do Cosmo. Analisaram o cérebro de Einstein e não acharam nada de anormal. Talvez ele fosse só um mero e reles talentoso que deu sorte... Pois, seguindo o espírito de nossa época, logo virá um cientista explicando tudo pelo DNA, asseverando, do alto de sua autoridade, nem sempre genial, que o Réquiem se origina de uma dose a mais de guanina e timina na seção 198, 45º W 30º N, do cromossomo N. E o mesmo, naturalmente, valeria para a Sonata ao Luar, O Anel dos Nibelungos e, com algumas modificações de Geografia molecular, a Mona Lisa, o Discóbulo, a Comédia Humana e O Cavaleiro das Trevas. Quem diria que um erro na receita do seu coleguinha mudaria radicalmente o seu quase destino de concertista brilhante... Vinte e cinco anos depois, detrás de sua mesa de repartição pública, entulhada de papéis pouco musicais, você poderá bradar cheio de satisfação: “Ah, não foi culpa minha! O miserável já nasceu com doping!”



 Escrito por Rodrigo Farias às 03h58
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   Crônicas de Carnaval - I

    Quando não se é entusiasta de "ziriguidum" e "bum-bum-ba-ti-cu-bum", estar no Rio de Janeiro durante o Carnaval lembra a situação do condenado no cadafalso. Com semanas de antecedência, a lógica do mundo se inverte, sai da rota, e tudo em torno passa a ser "Carnaval". É seu colega de trabalho que não cansa de fazer planos mil para o megaferiadão, quando se sabe que seu único destino, todos os anos, é aquela mesma casinha na Região dos Lagos; é sua irmã preparando a mochila para uma sair mundo afora com uma legião de amigos (quando não vai, ela também, para a casinha na Região dos Lagos); é a mídia tentando nos convencer a cada cinco minutos de que o novo samba-enredo de Joãozinho Trinta é mesmo "novo", e não o batuque de sempre; é a justiça embargando uma certa alegoria porque a) é imagem sacra católica ou b) é "pornográfica", e pode prejudicar as crianças (como se aquele mar de gente nua e rebolativa fosse um estímulo ao pudor). O comércio ferve nas galerias ditas populares, máscaras aparecem por toda parte, muitas vezes fazendo a crônica geopolítica do ano anterior: Osamas, Bushs e Saddams desfilam impunes pelas ruas, numa perpétua capa terceiro-mundista da "Time". E, claro, resta você, que não entende nada de samba, não quer exibir seus dotes naturais para as câmeras, não tem casinha na Região dos Lagos e cujos amigos estarão muito ocupados bebendo, fornicando ou ajudando a engarrafar estradas.

    E assim os dias vão passando, um a um, enquanto o monstro da folia vai se aproximando. Você tenta ignorar: basta alugar meia-dúzia de filmes, escolher um ou dois livros, navegar na Internet até não poder mais. Lutará contra as hostes de Baco levando uma vida monacal até a Quarta-feira de Cinzas. Afinal, tem aquele Dostoiévsky de 800 páginas que você sempre quis terminar (faltam só 775); ou o último lançamento de Truffaut em DVD... "Que os outros caiam em tentação; eu usarei meu tempo para coisas superiores", diz para si mesmo, com a confiança dos virtuosos.

    E chega a sexta-feira. A Prefeitura, claro, resolve interditar uma pista inteira da principal avenida do Centro, e isso já ao meio-dia e meia. Você, que notoriamente não tem viagem a fazer e por isso não tem desculpa para sair cedo do trabalho, mas se alegra por descolar meia-hora de alívio (pois seu chefe tem várias casas na Região dos Lagos), descobre que a hora do rush foi antecipada em várias horas. A tal pista interditada e a generosidade maciça de empresas e repartições entope as vias mais importantes, num congestionamento digno de São Paulo em dia de chuva. O seu ônibus, um pouco mais cheio do que deveria, avança, impávido: a dois metros por minuto, um dia ele chega! Como você resolveu se poupar e não o pegou no ponto final, tem de viajar em pé. De repente,  aquele belo "Os Irmãos Karamázov" de capa dura que trouxe para ler na viagem começa a, quase literalmente, pesar-lhe na alma (e na coluna).

    Duas horas e vinte depois, lar, doce lar! Um banho restaurador, um lanche reforçado e a expressão "alegria de viver" volta a fazer sentido. Passado aquele reconforto pós-banho, começa a operação de guerra. Você tem até quarta-feira para justificar-se perante si mesmo e o mundo, e descobrir uma forma de manter-se ocupado e satisfeito. Santo Antão pós-moderno, você começa sua luta contra as tentações da carne.

    Com o quê? Dostoiévsky, aquele peso extra na sua bolsa, deixou de parecer tão atraente. Televisão, nem pensar... Ah, a locadora de vídeo! Na pressa para fugir do ônibus cheio e suarento, e livrar-se do cheiro de fumaça que exala de suas roupas, você esqueceu de passar pela locadora. Uma certa apreensão lhe ergue a sobrancelha: será que o cobiçado Truffaut ainda está lá? Vencendo a inércia natural do corpo que só ficar em casa, você dispara rumo à locadora em busca de 33% da sua programação monacal.

    Loja cheia. Claro. Já passam das 19h de uma sexta-feira de Carnaval. Já sem erguer a sobrancelha, mas descendo um calafrio, você entra e percorre rápido as prateleiras. "Pluto Nash" surge-lhe de primeira como um mau augúrio. Adiante. "Scooby-Doo", "O Paizão", "Joe e as Baratas", em várias cópias, o convencem de que a ala de comédias está irremediavelmente perdida. Quem sabe na de terror e suspense? "O Chamado" 0, 1, 2 e 3? Brrr, não é para tanto. "O Silêncio dos Inocentes" já está quase decorado, quase pirateado para sua memória. "Hannibal", "Dragão Vermelho", "Psicopata Americano", "Halloween"? Carne crua demais... Onde raios estão aqueles filmes de detetive!?

    Depois de quinze minutos de escolha frustrante e mais quinze na fila de locação, você descobre que terá de passar seu retiro com "O Exorcista 2", "Desejo de Matar" (sabe Deus qual parte) e um do Zé do Caixão cujo título faz questão de nem olhar. Sem Truffaut para sacralizar a locação, você até pensou em dar uma olhadinha naquele promissor "O Melhor de Buttman", mas justamente nesse momento uma legião de senhoras com crianças materializou-se ao redor do balcão...

    Fica para a próxima.

(Continua...)



 Escrito por Rodrigo Farias às 00h11
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   O maior duelo da História

Para ler a matéria na íntegra: http://br.groups.yahoo.com/group/historia-ugf/message/1135
The NY Times, February 21, 2004

A Job for Rewrite: Stalin's War

A plucky Britain refusing to bow to the Luftwaffe's blitz, Patton and Rommel dueling in the North African desert, the D-Day invasion and the Battle of the Bulge — these tend to dominate American's conception of the Allied defeat of Nazi Germany.

But as important as the episodes were, military historians have always known that the main scene of the Nazis' downfall was the Eastern Front, which claimed 80 percent of all German military casualties in the war.

The four-year conflict between the Wehrmacht and the Red Army remains the largest and possibly the most ferocious ever fought. The armies struggled over vast territory. The front extended 1,900 miles (greater than the distance from the northern border of Maine to the southern tip of Florida), and German troops advanced over 1,000 miles into Soviet territory (equivalent to the distance from the East Coast to Topeka, Kan.). And they clashed in a seemingly unrelenting series of military operations of unparalleled scale; the battle of Kursk alone, for instance, involved 3.5 million men.

In short, the war fought on the Eastern Front is arguably the single most important chapter in modern military history — but it is a chapter that in many essential ways is only now being written. From evidence released from Soviet archives since the mid-1980's, scholars have learned, for example, that Soviet deaths numbered nearly 50 million, two and half times the original estimate; that the Red Army raped two million German women during their occupation to wreak revenge; and that an astonishing 40 percent of Soviet wartime battles were for deacdes lost to history.

In the last few years, academics have lamented that access to Russian archives has tightened considerably. Surprisingly, though, specialists in the field say that what may turn out to be a bigger problem is the dearth of Russian military historians in the West who can take advantage of the documentary material already available, coupled with the lack of money in the former Soviet Union to support those academics prepared to dive into the papers. So far, it's a "missed historiographical opportunity," said Col. David M. Glantz, now retired, the former director of the United States Army's Foreign Military Studies Office, who has written or edited more than 60 books on the history of the Soviet military in the Second World War. The extraordinarily prolific Colonel Glantz said he would need "three lifetimes" to mine the documents that have already been released.

Military historians like Williamson Murray, professor emeritus at Ohio State University and a defense consultant in Washington, hold that the Soviets probably documented their war more fully than any other of the combatant states. Yet the war on the Eastern Front is still obscure, largely because of the cold war. During that period, the U.S.S.R.'s immense archives concerning the conflict were essentially closed to Western scholars. At the same time, the decisive impact of America's erstwhile ally was often deliberately underplayed in the West for political reasons.

The Soviets also buried the history of the Eastern Front. Soviet military historians turned out accurate and detailed work, but since they could analyze only what Soviet officials permitted them to write about, they skirted, or, more significantly, ignored those facts and events the government considered embarrassing. Soviet propaganda, meanwhile, lionized the heroes of the "Great Patriotic War."

For the most part, then, scholars were forced to rely heavily on German sources, which presented an extremely distorted view of events. Only the Scottish historian John Erickson, whose two-volume history of the war in the East — "The Road to Stalingrad" (1975) and "The Road to Berlin" (1983) — remains the outstanding comprehensive study in any language, managed to get beyond such one-sided accounts. He did it by virtue of his close relationships with high-level Soviet officials and current and former military officers in order to gain access to closed records. But probably his greatest cache of Soviet material actually came from combing German records for captured Soviet documents.

Since the fall of the Soviet Union, though, the flood of published Soviet military documents and the opening up of the Soviet archives have been transforming historians' understanding of this pivotal theater of the Second World War. Indisputably, the chief scholar in this endeavor is the 62-year-old Colonel Glantz, who spent most of his years in the Army thinking of ways to defeat the Red Army.

Drawing on the vast and varied newly available Soviet document collections and archives, his dozens of books are what military historians call operational histories, which minutely and meticulously examine what took place on the battlefields. They aren't concerned with the Eastern Front's political, social, diplomatic or economic dimensions (Colonel Glantz barely touches on the Wehrmacht's role in the Final Solution, for example), or even with all its military ones, and to the layman they can be very heavy going, with their recitations of faceless units moving in unfamiliar places.

But thanks largely to his and Mr. Erickson's work, Westerners have radically revised their appreciation of the Red Army's wartime skill and performance.

According to the conventional view, based largely on the often-self-serving accounts of German generals, the Wehrmacht was the most operationally advanced military in the war, and Soviet tactics and performance were leaden and unimaginative in comparison; the Red Army ultimately prevailed not because it was skillful, but because it was so large.

By incorporating Colonel Glantz's findings, however, Mr. Murray of Ohio State and his co-author, Allan R. Millett, conclude in "A War to Be Won" (Harvard, 2000), their general history of the Second World War, that the Soviets' brilliant use of encirclement and what they called "deep battle" — extremely rapid, far-reaching advances behind the enemy's front lines — constituted the most innovative and devastating display of "operational art" in World War II. Soviet operations from the summer of 1944 to the winter of 1945, they conclude, were far superior to those of the German Army at its best.

Speaking from his house in Carlisle, Pa., near the United States Army War College, Colonel Glantz marveled that close to one-half of wartime Soviet operations — including major battles involving hundreds of thousands of Red Army soldiers — are simply "missing from history," either neglected or covered up.

Benjamin Schwarz is the literary editor and the national editor of The Atlantic Monthly.



 Escrito por Rodrigo às 11h40
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   Livros inacreditáveis - 1

Historicamente, o Brasil importa, de mercadorias e modismos, de Playstation 2 a tamagochi, de carros a filmes. Mas há coisas que realmente quase me fazem reconsiderar se há mesmo esperança para a humanidade:

http://www.portalafro.com.br/literatura/maridonegro.htm



 Escrito por Rodrigo às 04h53
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A contínua denunciação do mal e dos seus agentes só lhes estimula o desenvolvimento no mundo - verdade fartamente revelada nos Evangelhos, mas para a qual continuamos persistentemente cegos.

Nikolai Berdyaev (1874-1948)

Por que, lendo isso, não posso deixar de pensar no Olavo de Carvalho?



 Escrito por Rodrigo às 03h40
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   Dos usos da educação

"Sozinhas como possam estar boa parte de seu tempo, [as pessoas educadas] não merecem tanta pena quanto aquelas criaturas sociáveis que precisam ter 'gente em volta' ou um filme a que assistir. Pois a pessoa educada se aproriou tanto da mente de outros homens que ela pode viver do seu armazém como o camelo de seu reservatório. Tudo pode se tornar grão para o seu moinho, inclusive a sua própria miséria -- se ela é miserável -, já que, por associação com o que ela sabe, tudo que ela desfruta ou suporta tem ecos e sugestões ao infinito. Este é, de fato, o teste e a utilidade da educação de um ser humano, que ele descubra prazer no exercício de sua mente."

Jacques Barzun, "Begin Here - The Forgotten Conditions of Teaching and Learning".


Uma mente verdadeiramente educada, em mais de um aspecto, basta-se. Não pela solidão egoísta e arrogante dos que zombam do seu semelhante, mas sim porque uma mente cultivada é capaz de encontrar prazer e significado em um número muito maior de coisas e atividades que seu vizinho menos afortunado. Cultura não é, pois, um mero adorno, um acessório para incrementar nosso "impacto" social; muito menos um reles instrumento de progresso profissional (às vezes é até um obstáculo a tal avanço). Ela é, ao contrário, um aumento de capacidade da alma; um recurso, e não dos mais desprezíveis, para que ela possa construir mais facilmente a própria felicidade. Pois a cultura enriquece nossa habilidade em dar sentido às coisas, mesmo às aparentemente mais insignificantes. Quem já perdeu longos minutos dissertando sobre o próprio tédio, versejou mentalmente durante a própria desgraça, ou compôs melodias grandiosas num momento de ócio ou mesmo de tristeza -- melodias capazes de encher uma alma e que jamais encontrarão pouso numa partitura -- pode imaginar o que é isso.

Contudo, apesar dessas possibilidades tão ricas, quantos "eruditos" correm por aí sem nada fazer com sua cultura! Que não usam seu próprio acervo para enriquecer seu olhar sobre a vida, fazerem-se mais fortes em espírito e transformar a mera bagagem de informações em sabedoria! Que, enfim, não sabem ou não se preocupam em usar o privilégio que tiveram para elevarem de alguma forma a própria humanidade! São plebeus de espírito, por mais títulos que ostentem e que seja extensa sua bibliografia. Correm por nossas universidades, enchem consultórios, escritórios e palácios, tão pigmeus por dentro quanto o mais simplório analfabeto. Não raro, interrogados sobre o sentido da vida, preferem achar que não há nenhum...

Fariseus da vida moderna, acordai enquanto é tempo!

 

 



 Escrito por Rodrigo às 02h58
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   Blogs conservadores (?)

Meus dois ou três leitores assíduos, que devem aguardar ansiosamente cada novo post neste blog que hoje completa uma semana de vida, devem ter notado que não possuo ainda uma seção de links muito grande. Dos poucos que há, indico uns três blogs, dois deles descobertos apenas hoje. Olhando-os com certo cuidado, esses fiéis visitantes notarão que todos os três têm traços comuns: são muito bem escritos, têm conteúdo (motivos pelos quais estão aqui) e... defendem o liberalismo e têm Olavo de Carvalho como referência.

Essa semelhança me chamou a atenção. Eu próprio não me considero um liberal, embora reconheça nessa "doutrina" (chamemos assim) teses interessantes, que contrabalançam certas posturas estatistas e esquerdistas que se alçaram ao status de "senso comum" no Brasil. Mas me preocupa um pouco que os melhores blogs que tenha encontrado até o momento tenham todos o mesmo viés ideológico. Obviamente, sou um neófito na dita "blogosfera" e minha observação não tem nenhum grande valor estatístico, exceto para mim mesmo. Mas já que o espaço aqui é personalizado, ter valor apenas para mim mesmo já é um grande motivo de inclusão.

Essa homogeneidade me parece um tanto incômoda. Já participei e assisti a embates titânicos com liberais exaltados e extremamente inteligentes, mas alguns dos argumentos sempre repetidos cheiram a falácia. Pois à defesa das desregulamentação econômica, geralmente vem associada não só a defesa concomitante, mas também a louvação, de posturas políticas que me parecem muito questionáveis. Por exemplo, veja-se o largo apoio que muitos desses liberais-conservadores deram e dão à política "falconiana" de George Bush, de "buscar e destruir" a qualquer preço, passando por cima de compromissos, convenções, e mesmo a simples honestidade. Essa combinação de desregulamentação e truculência, temperada com o velho discurso de missão civilizatória, dá medo. Defendido por gente muito capaz intelectualmente, muito mais que Mr. Bush, dá mais ainda, pois nada mais perigoso que a arrogância paladinesca seduzindo uma mente supostamente bem aparelhada.

Mas volto a isso noutra ocasião...

 



 Escrito por Rodrigo às 13h18
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   Xadrez e Educação

E pensar que partidas de xadrez ainda são vistas como a representação máxima do tédio. Oh, blasfêmia!

Clique no link para ler a matéria na íntegra.
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International Herald Tribune
The fun side of chess makes it a perfect pawn in the classroom
By Brad Spurgeon (IHT)
Tuesday, February 17, 2004

PARIS: The Game of Chess is not merely an idle amusement," Benjamin Franklin wrote in 1779. "Several very valuable qualities of the mind, useful in the course of human life, are to be acquired and strengthened by it, so as to become habits, ready on all occasions; for life is a kind of Chess."

While Franklin was referring to qualities like foresight, circumspection and perseverance, today's educators say chess also improves both reading and math skills and analytical and creative thinking.

All of these factors, along with shifting movements in the world of professional chess, have spurred a worldwide trend toward incorporating chess into schools, either as an option or, as in more than 30 countries, a regular subject in the curriculum. Yet, fortunately, for the students, chess remains an idle amusement.

"Chess is for having fun; it's a great way to relax," said Paul Gonzalez, 12, who studies chess at the College Joffre in Montpellier, France. But, he added, "It certainly requires a lot of concentration, and when you play a game that lasts six hours, you really need to be patient."

It is precisely the fun side, however, that Tim Redman, general secretary of the committee on chess in schools at the International Chess Federation, or FIDE, said makes chess a successful teaching tool. Redman is also head of the chess program at the University of Texas, Dallas.

"When children learn to play chess, they want to play chess, and they don't know that they're learning or that their minds are developing, they just think it's fun," Redman said. "Chess is a kind of stealth teaching."

One influential study, "Teaching the Fourth 'R' (Reasoning) Through Chess," carried out by Robert Ferguson in Pennsylvania over a five-year period in the early 1980s, showed that critical thinking skills improved by 17.3 percent for students in chess classes, compared to only 4.56 percent for children in other classes, such as problem solving with computers or games like Dungeons and Dragons.

A 1996 study by Stuart Margulies, an educational psychologist, showed an improvement in students' reading skills. It was performed in a New York City program called "Chess in the Schools," which started in 1986 and now involves 38,000 students from kindergarten to grade eight in 160 schools.

A growing number of schools in Canada teach a combined chess and math program as part of the curriculum starting in grade two, or at about seven years of age. China, a relatively recent convert to chess, also has a massive chess-in-the-schools program while Turkey, with another new program, will host an international school tournament and a conference to unite teachers of chess in schools from around the world in April.

Despite the worldwide movement, schools still often fall into their programs on their own due to the enthusiasm of chess-playing teachers. In Montpellier, on the other hand, the program was started in 1997 when Patrick Loubatière, a French teacher whose father is head of the French chess federation, was coaxed into it by former students from a chess course he taught elsewhere.

"After six months of the students' insisting, I went to see the principal of the College Joffre and I proposed starting up a club," Loubatière said.

The club grew into a regular one-hour class once a week in addition to a two-hour daily club at the school at lunchtime. There are now 150 students, aged 10 to 18. They are taught and tested on chess tactics, openings and checkmate methods. Their marks affect their overall average but they do not yet count in the final exams for the Baccalaureate.

"Hopefully that will happen next year," said Loubatière, as the chess federation has asked the government to recognize chess as an official option. "The national education system should clearly recognize the pedagogical aspect that is so important with chess and use it as a tool."

Loubatière's father, Jean-Claude, said that schools in France had done their own tests that showed how the game improved students' scores in other subjects.

"I am a mathematics professor," he said, "and there is a chess dictum that says three hours of chess equals two hours of math plus two hours of Latin. Chess is a little bit of a universal language where there are rules and principles and each individual has to be at once disciplined and imaginative."

With chess, unlike other sports, games may be replayed exactly and analyzed precisely thanks to the algebraic-like notation of the moves. In this way students may study not only their own games, but virtually all of the great games of the past, in addition to games by personalities like Napoleon, Albert Einstein or Pope John Paul II.



 Escrito por Rodrigo às 00h41
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   Poemas de Amor (XX) - Pablo Neruda

 Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: 'A noite está estrelada
e tiritam, azuis, os astros à distância'.

Gira o vento da noite pelo céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis e por vezes ela também me quis.

Eu a tive em meus braços em noites como esta.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela me quis e às vezes eu também a queria.
Como não ter amado seus grandes olhos fixos?

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E descer o verso à alma como ao campo do rocio.

Que importa se não pôde o meu amor guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. À distância alguém canta. À distância.
Minha alma se exaspera por havê-la perdido.

Como para cercá-la meu olhar a procura.
Meu coração a busca, ela não está comigo.

A mesma noite faz branquear as mesmas  árvores.
Já não somos os mesmos, nós os de outros dias.

Já não a quero, é certo, quanto a quis, no entanto.
Minha voz ia no vento para alcançar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro, os olhos infinitos.

Já não a quero, é certo, porém talvez a queira.
Ai, é tão breve o amor e é tão extenso o olvido.

Porque em noites como esta eu a tive em meus braços,
minha alma se exaspera por havê-la perdido.

Mesmo sendo esta a última dor que ela me cause
e estes os últimos versos que eu lhe tenha escrito.

(Trad. de Domingos Carvalho da Silva)



 Escrito por Rodrigo às 21h41
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   Do Amor

Algumas linhas abaixo, eu me queixo da onipresença do amor na produção artística que encontra espaço na mídia. Ela nunca é tão visível e tão opressiva como nos períodos em que se está só. É aí que as intermináveis canções declamando o amor de homens e mulheres (em quaisquer combinações) começam, primeiro, a soar um tanto vazias, depois um tanto incômodas e, nos casos mais graves, uma lembrança permanente do fracasso. Tem-se a impressão de que cada verso nos lembra o estigma fatal: “Tu não amas, nem és amado por ninguém.” Está consumada a tragédia: o solitário é um outsider.

            Por que essa fixação, natural para inúmeros e sádica para alguns, no amor? Melhor dizendo, por que se fala tanto justamente nesse tipo de amor? Pois o sentimento de que trata essa multidão astronômica de versos e notas, de imagens e dramas, não é classe nem filo, sequer um gênero, é tão-somente espécie, das várias que habitam a selva do coração. O Amor é quase sempre entendido como o amor de romance, apaixonado, que precede aquela clássica frase, “... e viveram felizes para sempre.” Eis “O” Amor, arrebatamento permanente, meta suprema de felicidade, objetivo da vida, o Olimpo dos ideais. “O” Amor é a grande religião do nosso tempo febril, a grande aposta da juventude e o mais fundo suspiro da velhice. No Seu altar, aprendemos que se deve sacrificar toda e qualquer coisa: família, amizade, bens, carreira, ideais... Tudo vale a pena, desde que seja por Amor. Ah, o Amor...

            É de espantar que haja tantos divórcios?

            Que curiosa época esta, em que todos querem amar e tão poucos conseguem! Pois “O” Amor nunca teve tanta expressão. Que atire a primeira pedra quem nunca devaneou por um cenário de sonho após ver um filme, uma cena de novela, uma página de romance ou uma fotografia sugestiva. Respira-se Amor, busca-se Amor... Adolescentes enchem agendas e diários de símbolos amorosos e versos sem métrica, adultos até pagam profissionais que os ajudem a encontrar sua cara-metade, crianças são doutrinadas a crer em príncipes e princesas. No entanto, a realidade parece mais difícil que a ficção. Namoros promissores rompem-se, matrimônios sorridentes rotinizam-se, “almas gêmeas” suspeitam-se trocadas na maternidade... Que há de errado?

            Para Jurandir Freire Costa, há que “O” Amor é um mito. Pois ao falarmos “Amor” estamos na verdade pensando no “amor romântico”, uma idealização literária que por séculos foi considerada apenas isso, uma fantasia, uma fábula, agradável como passatempo mas de cuja irrealidade se tinha plena consciência. Afinal, casamentos não eram exatamente regidos pela afeição, e as ligações amorosas — e sempre houve paixão neste mundo — não eram idealizadas de forma tão massacrante quanto hoje. Não havia TV nem cinema, nem música no rádio, propalando sem parar que uma determinada fase do amor — justamente a mais incipiente, imatura e explosiva — é “O” Amor em si mesmo. Que aquele bater forte dentro do peito, o fogo a correr pelas veias, o delicioso frêmito diante da presença do outro, é o estado permanente e natural dos amores verdadeiros. Que o amor tal qual vendido pela mídia — essa nossa professora de tantas (nem sempre notadas) lições — é uma farsa, uma fraude, tão próxima do amor quanto um ovo é de uma águia. Um dia a casca quebra...

            Alguém já disse, creio que Montaigne, que Vênus, nua e palpitante, ainda não é tão bela quanto no-la pinta Virgílio. E nem poderia ser: é da natureza dos sonhos brilhantes tornarem-se opacos tão logo adentrem a soturna realidade. Mas sonhos são metas, referências; é muito perigoso confundi-los com o real. Este é sempre implacável com nossos castelos de areia.

 

            Não que a paixão não tenha seu lugar. Tem, e como não poderia? Mas que não seja ela a regente de nossos destinos. Sirvamo-nos dela como um ator de seu personagem: vivendo-a plenamente, mergulhando em sua corrente, saboreando seus êxtases e suas torturas... mas sabendo que, mais adiante, ao fim do espetáculo, ela passa, e nós permanecemos.



 Escrito por Rodrigo às 21h36
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