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Ricos e pobres na universidade
É comum se dizer que o Brasil abrigaria uma curiosa inversão de valores (mais uma de tantas): as universidades públicas seriam nichos das classes mais favorecidas, restando às privadas, pelo menos nos cursos mais baratos, abrigar os estudantes de menos posses. De fato, um passeio pelo estacionamento de uma universidade como a UERJ parece confirmar essa hipótese. Porém, aproveitando as virtudes empiricistas do espírito de nossa época, alguém pode se lembrar de recorrer às estatísticas, e o quadro que elas mostram é um pouco diferente.
Quem tiver curiosidade de saber do que estou falando, é só dirigir-se ao artigo do sociólogo Simon Schwartzman: http://www.schwartzman.org.br/simon/ricos_pobres.htm. Aliás, o site tem vários textos sobre educação, inclusive um dossiê sobre o ensino privado no nosso país. Vale a pena.
Escrito por Rodrigo Farias às 12h09
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Revisitando 1964
Um golpe no maniqueísmo ingênuo de tantos líderes estudantis, livros didáticos, jornalistas e militantes vários... Às vezes é preciso ser um especialista para se ser ouvido, mesmo quando se afirma uma obviedade como essa. Idealismo à parte, o que se poderia esperar de grupos que tinham Fidel e Che Guevara como ídolos, e se alinhavam com os maiores regimes autoritários do planeta?
No entanto, a farsa segue se repetindo, felizmente em menor escala. Dia desses, o PCB (creio que deva ser o ex-PC do B) ocupou o horário eleitoral gratuito para defender a implantação do socialismo. Seus símbolos, a velha bandeira da União Soviética. Deveriam pôr um AK-47; seria um símbolo historicamente mais adequado para esse regime, que concentrou por décadas as aspirações de uma multidão de idealistas bem-intencionados, e, ainda assim, ou talvez também por isso, trouxe tanta dor, sofrimento e medo à nossa combalida civilização. Talvez seja o caso mais escandaloso de cegueira ideológica dos Tempos Modernos.
Não que o capitalismo, tal qual se encontra, seja muito melhor, na área que lhe é própria. Mas não será com uma proposta falida que corrigiremos suas mazelas. Se nossas alternativas se resumem a ressuscitar a múmia de Lênin, estamos muito mal servidos.
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O GLOBO, 29/3/2004:
64: ‘Falava-se em cortar cabeças; essas palavras não eram metáforas’, diz pesquisador
Resistência democrática, dogma que desaba
 Aydano André Motta, Chico Otavio e Cláudia Lamego
Um dogma precioso aos adversários da ditadura militar iniciada a 31 de março de 1964 está em xeque. Novos estudos realizados por especialistas no período — alguns deles integrantes dos grupos de oposição ao regime autoritário — propõem uma mudança explosiva, que semeia fúria nos defensores de outras correntes: chamar de resistência democrática a luta da esquerda armada na fase mais dura do regime está errado, historicamente falando.
— Falava-se em cortar cabeças, essas palavras não eram metáforas. Se as esquerdas tomassem o poder, haveria, provavelmente, a resistência das direitas e poderia acontecer um confronto de grandes proporções no Brasil — atesta Daniel Aarão Reis, professor de História da UFF e ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8). — Pior, haveria o que há sempre nesses processos e no coroamento deles: fuzilamento e cabeças cortadas.
“Ninguém estava pensando em reempossar João Goulart”
Denise Rollemberg, mestre em história social da UFF, destaca que o objetivo da esquerda era a ditadura do proletariado e que a democracia era considerada um conceito burguês.
— Não se resistiu pela democracia, pela retomada do status quo pré-golpe. Ninguém estava pensando em reconstituir sistema partidário ou reempossar João Goulart no cargo de presidente — diz Denise.
A professora explica — e Aarão Reis concorda — que a expressão sequer surgiu no fim dos anos 60, início das batalhas entre militares e terroristas. A “resistência democrática” apareceu na campanha pela redemocratização do início da década de 80, após a anistia que permitiu a volta de exilados como Leonel Brizola, Miguel Arraes e Fernando Gabeira e criou uma clima de conciliação nacional.
— A descoberta da democracia pela esquerda se dá apenas no exílio, com a leitura de filósofos e pensadores como o italiano Antonio Gramsci e o entendimento correto das manifestações de maio de 1968 em Paris. Acabou virando tudo uma coisa só — diz ela.
A revisão de uma idéia cara à esquerda transformou-se em bate-boca no seminário “40 anos do golpe: 1964-2004”, realizado semana passada no Rio. Professor de filosofia da Unicamp, João Quartim defende que a luta era contra o golpe, pela restauração da democracia. Também ex-integrante de uma organização armada, a Vanguarda Popular Revolucionária, Quartim rejeita o rótulo de antidemocrático.
— Lutávamos contra o golpe imposto pela violência ao país. O conteúdo do nosso projeto era levar adiante, com mais audácia, as reformas de base do governo Jango. Quem deu o golpe é que quebrou, pela violência, esse processo. O golpe foi dado pela direita, com o apoio da frota americana que chegou a começar o deslocamento para cá — argumenta Quartim.
O período que está na berlinda tem o rótulo de “guerra suja” e aconteceu de 1968 a 1974 — ainda que as paixões indiquem que foi ontem. O mergulho nas ações armadas deu-se a partir de uma dissidência que produziu vários grupos de esquerda, depois massacrados por uma indústria de torturar e matar montada pelo governo dentro das Forças Armadas.
Outro participante da luta, o professor de História da UFRJ Renato Lemos, acha que é responsabilidade ética, social, política e histórica da esquerda assumir suas idéias e ações durante a ditadura.
— Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas. Nossa atitude foi tão válida quanto qualquer outra. Havia outros caminhos, sim. Poderíamos tentar lutar dentro do MDB, mas achávamos que a democracia já tinha dado o que tinha que dar — confirma Lemos.
Professora da USP, Maria Aparecida de Aquino pondera que nada é assim tão simples. Para ela, não se pode afirmar que caminho tomaria o Brasil se a luta armada tivesse prosperado.
— Era resistência, mas não sabemos se seria democrática porque a esquerda não chegou ao poder — sustenta ela. — Não havia como pensar no restabelecimento do estado de direito sem tirar militares do poder. Quem interrompeu a democracia foram os militares.
Aarão Reis discorda.
— As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar o socialismo no país por meio de uma ditadura revolucionária, como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falavam em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora, aglutinadora. Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre a guerra.
Disputa entre duas elites a que o povo assistia de fora
Professor de sociologia da Unicamp, Marcelo Ridenti argumenta que o termo “resistência” só pode ser usado se for descolado do adjetivo “democrática”.
— Houve grupos que planejaram a ação armada ainda antes do golpe de 1964, caso do pessoal ligado ao Francisco Julião, das Ligas Camponesas. Depois de 1964, buscava-se não só derrubar a ditadura, mas também caminhar decisivamente rumo ao socialismo.
Professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, autor do aclamado “Como eles agiam”, sobre o funcionamento do regime, Carlos Fico chama de ficção a idéia de resistência democrática. Ele também ataca a crença de que a luta armada foi uma escolha motivada pela imposição do AI-5.
— A opção de pegar em armas é anterior ao ato institucional. Alguns grupos de esquerda defenderam a radicalização antes de 1968 — garante ele.
O professor da UFRJ defende que os confrontos armados eram uma disputa sangrenta entre duas elites — o povo ficava de fora, assistindo aos sobressaltos.
Escrito por Rodrigo Farias às 13h01
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Lei de Murphy do Amor
Artigo Único - Todas as mulheres interessantes em sua faixa de preferência são:
- casadas;
- noivas;
- namoradas há cinco anos, com planos de noivar e casar (e provavelmente reproduzir);
- residentes de outro Estado ou país;
- lésbicas;
- portadoras de sérios problemas psicológicos;
- ocupadas demais e sem tempo para uma vida pessoal;
- suas melhores amigas e só o vêem como um "irmão";
- personagens de quadrinhos ou desenho animado;
- uma combinação de dois ou mais itens anteriores.
Revogam-se as disposições em contrário.
Oh, dor... 
Escrito por Rodrigo Farias às 20h10
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A morte em blogs
Ainda me adaptando às peculiaridades do blog, tão parecido e tão diferente de um site comum, descobri hoje um fenômeno novo: o impacto da morte de um blogueiro. A idéia certamente já me passou pela cabeça, de leve - tive um contato recente com a finitude -, mas não havia testemunhado nenhuma situação concreta. Agora, descubro mais essa faceta do mundo virtual.
Pretendo voltar ao assunto mais tarde, mas, por enquanto, sugiro que vocês, meus bons amigos, dêem uma olhada nesta matéria.
Escrito por Rodrigo Farias às 13h23
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Saudade
Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida... Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: "aquela que nunca amou." E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."
(Pablo Neruda)
Escrito por Rodrigo Farias às 10h31
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Olhar
Uma hora da última tarde de verão. Almoço.
- O Carnaval é a melhor coisa que já inventaram! Uma maravilha! Em Salvador, então, foi melhor ainda...- e começou a contar, animada, suas aventuras momescas Brasil afora.
Do outro lado da mesa, ouvia-a, atento. Observava-a, na verdade. A história era boa, cheia de lances engraçados. Ouvia-a, mas sobretudo via-a. Melhor dizendo, gravava-lhe a imagem. Vagava prazerosamente, por trás da máscara de atenção, por aqueles traços que ficara tanto tempo sem ver. A narrativa seguia, em gestos e expressões que valeriam um Oscar. Mas era apenas uma trilha de fundo. Salvador estava tão longe, e ela estava tão perto, logo ali. Seus olhos, pequenos e vivazes, dançavam nas órbitas a cada lembrança. Testemunhas silenciosas de cada momento contado, iam para a esquerda, para a diagonal direita, pulavam para cima e para baixo, e como que ausentavam-se quando ela buscava uma palavra ou frase mais fugidia. Poucas vezes fixavam-se nos dele, cravados nela.
E a história, sempre adiante. Trios elétricos. Cachaça deliciosa. Comida típica cara e rara. Medo de intoxicação alimentar. Festa. Dança. Catarse. Cansaço.
E os olhos dele sempre a vagar: ora se perdendo nos dela, como se a querer ver o que lhes havia por trás; ora demorando-se, gulosos, nas tenras maçãs do rosto pequenino; enfim lampejando sobre os lábios vermelhos e absorventes... E então voltava aos olhos fugidios, para melhor convencer num comentário qualquer, ou numa risada estratégica.
Os olhos... tão pequenos e vivazes! Lembrou-se de como os via antes, quando se conheceram. Não os contemplava tanto, por falta de audácia e oportunidade. Colegas de trabalho em sala repleta, como demorar-se neles? E, não obstante, ainda via ali o mesmo brilho, a mesma energia, a mesma overdose de vida. Como estrelas negras, eram olhos cheios de luz e calor, que por estranho capricho da gravidade prendiam os dele em sua órbita.
Timbalada. Daniela Mercury. Frevo. Suor exalando de milhares de corpos. Fulana bêbada. Beltrano abusado. Vatapá. Noite virada na rua.
A pele branca, não demais, saborosa ao olhar, uma promessa de acolhimento. Sedosa, com certeza, não imaculada, um cravo aqui e outro ali denunciando as imperfeições encantadoras de sua humanidade.
Carlinhos Brown. Axé. Blocos. É o Tchan. Modelo famosa se agarrando com um anônimo. Praia. Mar.
Encimando o rosto de boneca, um arco de trevas, brilhosas e bem cuidadas, curtas mas dispostas em gracioso conjunto de...
- ... você não acha?
Pego de surpresa, praticamente em flagrante. O rosto traiu de imediato o susto da volta à realidade. Ainda ensaiou um balbucio qualquer, a título de explicação, mas a mente se tornou apenas um grande vazio branco...
Ela sorriu. E no fundo de seus olhos, tão pequenos e vivazes, brilhava a misericordiosa fagulha da compreensão.
Escrito por Rodrigo Farias às 23h54
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Mais 15 segundos de alguma fama
Blogs legais do público do UOL
Indique um blog legal Troque dicas
Escrito por Rodrigo Farias às 00h45
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Duplos
Mais uma caixa. Cobrou força dos músculos magros, fez uma careta exagerada de esforço e suspendeu a velha caixa metálica até a bancada. Olhando a prancheta com o formulário de controle, deu um suspiro de contentamento. Era a última daquela manhã.
Manhã? Sim, ainda. Estava sem relógio nesse dia — uma quase nudez —, mas estava certo de que ainda era relativamente cedo. A luz que entrava pela janelas do fim dos inúmeros corredores do depósito do Arquivo Nacional não deixava mentir. Não era sol de meio-dia.
Vestindo um guarda-pó azul tosco, sujo da poeira de séculos de documentos deteriorados, e incômodas luvas de borracha levemente rasgadas por atritos variados, o jovem estagiário respirou fundo antes de abrir sua caixa derradeira. Como se quisesse guardar o aroma do ar antes de infestá-lo um pouco mais com o pó (quiçá os fungos) dos documentos que o aguardavam. Como se já não tivesse se habituado ao mofo invencível que perfumava aquelas galerias geladas. Talvez não tivesse mesmo, e sem perceber soubesse que jamais se habituaria. Papel velho, ácaros, sujeira: o inconfundível toque da História.
Abriu a caixa. Lotada como todas. Brochuras, cadernos, maços e folhas soltas, amarelas, um tanto rotas, espremiam-se naquela prisão de metal, como numa cova coletiva. Fundos e séries diferentes, o Supremo Tribunal Militar roçando, licencioso, os robustos processos da 5ª Pretoria do Rio de Janeiro. Dobrados e maltratados, esquecidos até que algum pesquisador sacrílego os exumasse de seu descanso... ou um estagiário tivesse de catalogá-los e redistribuí-los em novas caixas, agora menores e mais leves. Depois de décadas de promiscuidade, aqueles testemunhos do passado teriam sepultura mais digna.
Tirou os documentos da caixa, empilhando-os sobre a bancada, por ordem de registro de maço. Olhou para eles com familiaridade e, talvez, alguma ternura. Já vira centenas e centenas, e, no entanto, no fundo sempre havia a vaga esperança de que um dia descobriria algo inédito, um documento esquecido que lançaria nova luz sobre o passado e seu nome ao livro dourado da academia brasileira. Mas, por enquanto, limitava-se a olhar as capas, conferir as acusações e, dependendo do caso, dar uma espiada nos depoimentos, anotados na inconfundível caligrafia do século XIX. A grande — para não dizer a única — compensação por aquele trabalho.
“1878
Sebastiana Peixoto da Silva – ré
José Francisco do Couto Ferreira & Antônio do Couto Ferreira -autores
Furto”
Logo nas primeiras páginas, a descrição de Sebastiana dava conta de que ela era negra e forra, ex-escrava de um dos autores da ação. Não era preciso ler mais. O resultado era de se prever. Ainda assim, foi às últimas páginas, atrás da sentença. Condenada. Claro.
Voltando a atenção à caixa, que seria descartada, percebeu que ainda havia algo nela. Espantou-se. Um título eleitoral. Luís Simões de Azevedo Cunha, 1934. Perdido no meio da escumalha dos Oitocentos, pobre homem. Só mais um documento fora do lugar, como tantos outros, não fora um curioso detalhe. A foto, meio solta, ainda estava em seu lugar. Ao olhar para ela, o estagiário viu como que seu próprio rosto olhar de volta.
(Continua?)
Escrito por Rodrigo Farias às 22h36
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Um exemplo
Aziz Ab'Saber vira "fazedor" de bibliotecas
Ele coletou mais de 8 mil livros e já criou 16 postos de leitura comunitários
Renata Cafardo escreve para 'O Estado de SP':
O professor fala, não há quem não dedique atenção máxima. "A solidão é perigosa", diz o geógrafo da USP Aziz Ab' Saber às detentas da Penitenciária Feminina do Butantã.
Os olhos, alguns em lágrimas, concordam. Como remédio, Aziz Ab'Saber oferece 1.500 livros, arrecadados em postos de doação pela cidade. A campanha, idealizada por ele, já distribuiu mais de 8 mil exemplares e permitiu a instalação de 16 bibliotecas comunitárias.
Na semana passada, foi a vez da penitenciária, que abriga cerca de 600 mulheres. As caixas de papelão trazem Jean Paul Sartre, José de Alencar, Eça de Queiroz. Um exemplar da Constituição causa curiosidade.
"Será que a gente vai poder levar para ler na cela?", questiona Zini Viana, de 46 anos, que olhava um livro de receitas.
"Acho que, agora, o tempo vai passar mais rápido." Cintia Paixão, de 23 anos, corre e mostra o que achou.
"Adoro Paulo Coelho", diz a moça, longos brincos, cordão no pescoço. Folheando Maktub, que ela diz que "já leu", Cintia lembra do pai. "Ele costuma dizer que lendo estamos sempre estudando."
Em cada canto da sala se formam grupos de duas, três mulheres. Pegam nos livros, se impressionam com figuras e títulos. "São todos seus", diz Ab' Saber a elas.
O professor, de 79 anos, se emociona com o interesse das presas. "Elas são as que mais precisam porque não podem ir a bibliotecas públicas."
Raimunda Pereira Alves, de 40 anos, há 12 na cadeia, encontra uma foto, esquecida em um dos exemplares. É um rapaz, no meio da neve. "Ele será meu namorado do Alasca."
As doações, segundo a diretora da penitenciária, Gizelda Morato Costa, poderão ser consultadas na biblioteca ou levadas para as celas. Até então, a televisão era uma das poucas diversões. "Não fazemos nada o tempo todo", diz Vanderléia Rodrigues.
Muitos dos livros levados para lá foram arrecadados em Moema, na papelaria de Helio Makoto Sato. Chamado no ano passado a participar da campanha, colocou faixas pelo bairro e se surpreendeu com a resposta.
"Com um mês, já não tinha mais onde guardar livros." As doações foram para Capão Redondo, Jardim Ângela e quadras de escolas de samba, entre outros lugares.
Aziz Ab'Saber quer ainda iniciar um curso para auxiliares de bibliotecários que trabalhariam voluntariamente no projeto.
No Capão Redondo, caixas de plástico empilhadas - daquelas usadas para guardar cerveja - improvisam prateleiras.
Brigam por espaço O Quinze, de Rachel de Queiroz, 1984, de George Orwell, Formação Econômica no Brasil, de Celso Furtado. Priscila da Silva, de 18 anos, ajuda a cuidar dos livros e se incumbe de buscar os exemplares nas casas de quem esquece de devolver à biblioteca.
"Já li Senhora, fala de amor."
A biblioteca - montada pela campanha de Saber - é a primeira no bairro e ocupa uma pequena casa da Cohab Conjunto Modelar.
"Aviso até os professores que tem livro aqui", conta Giliane Vieira Mosquetto, de 12 anos, fã da história de Os Três Mosqueteiros.
Segundo Devanir Amâncio, principal colaborador de Saber, cerca de 50 pessoas passam pela biblioteca por semana.
(O Estado de SP, 17/3)
Escrito por Rodrigo Farias às 20h26
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Enfim algum reconhecimento...
Folgo em ver que este modesto web log foi citado na seção de blogs mais legais do UOL. E eu nem tinha um único programa de captura de tela para provar (podem confiar na minha palavra, sou um exemplo até excessivo de boa-fé). Ao voltar à página, já tinha sumido...
Já se disse que todos terão seus 15 minutos de fama, mas isso é ridículo... A pressão demográfica na Internet já está tào grande que o tempo de cada um é de apenas alguns segundos. Um mero "Recarregar página" e minha celebridade evaporou-se quase tão rápido quanto um capital especulativo. Sinal dos tempos.
Mas não importa! Vaidade satisfeita, por ora...
Escrito por Rodrigo Farias às 20h24
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É lamentável, mas a fome e a miséria estão, cada vez mais literalmente, batendo às portas do Poder. Ou, pelo menos, gritando das galerias...
‘Peço a Vossa Excelência que não pule’
 Gerson Camarotti
BRASÍLIA. O desempregado baiano Edivaldo de Lima Araújo, de 35 anos, ameaçou se jogar da galeria do Senado no plenário, no fim da tarde de ontem. No meio da sessão, ele subiu no parapeito da galeria e começou a gritar, dizendo que estava com fome. Dirigindo-se ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Edivaldo fez um apelo dramático para pedir ajuda. Ao mesmo tempo, o baiano protestou contra o governo, afirmando que quando Sarney era presidente da República ele tinha emprego e não passava fome.
— Estou passando fome! Desde de manhã que não como nada! — gritava Edvaldo.
Edivaldo disse que procurara ajuda no gabinete do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) mas não fora atendido. A assessoria de Antonio Carlos negou a informação. Quando um segurança tentou se aproximar, o desempregado ameaçou jogar-se no plenário, de uma altura de seis metros. Temendo o pior, Sarney determinou que os seguranças não se aproximassem e começou a conversar com Edivaldo, prometendo que tentaria ajudá-lo. Mas ele continuou protestando. Sarney pediu:
— Peço a Vossa Excelência que não pule! Venha falar comigo. Eu lhe garanto que vamos fazer o que for possível para ajudá-lo — dizia Sarney, designando uma comissão para buscá-lo.
Um segurança, porém, foi mais rápido e imobilizou Edivaldo. Ao ser dominado, ele começou a se debater.
— Eu não sou ladrão! Estou com fome!
Ao ser socorrido, Edivaldo uniu governo e oposição, que estão numa briga de foice no Senado. Ele foi amparado pelos senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Aloizio Mercadante (PT-SP), Arthur Virgilio (PSDB-AM), Fátima Cleide (PT-RR), Ana Júlia (PT-PA) e Heloísa Helena (sem partido-AL). Com a sessão suspensa, foi atendido por um médico. Contou que é de Salvador, que está desempregado há dois anos e meio e que tem quatro filhos, um deles bebê. Confessou que já teve passagem pela polícia, mas não explicou o motivo.
— Ele estava muito tenso. Foi um susto, mas acho que serve de alerta para todo mundo — disse Mercadante.
Os senadores fizeram uma vaquinha e arrecadaram R$ 500. Sarney pediu a Edivaldo que volte hoje a seu gabinete.
Quando a sessão foi restabelecida, Antonio Carlos criticou a condução do caso, provocando uma troca de farpas entre ele e Sarney. O pefelista disse que a segurança deveria ter sido chamada imediatamente e lembrou ter enfrentado situação semelhante quando presidia o Senado:
— Isso não é um bom precedente. Agora, qualquer pessoa vai subir na galeria para chegar ao plenário.
— Agi pensando no aspecto humano da questão. Queria evitar um incidente que poderia ficar, lamentavelmente, na memória de todos nós — respondeu Sarney.
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| http://oglobo.globo.com/jornal/pais/141207945.asp |
Escrito por Rodrigo Farias às 10h08
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O Progresso da Superstição (Ou A Superstição do Progresso?)
Para astrologia, planetóide pode ser regente "verdadeiro" de Virgem RICARDO FELTRIN Editor da Folha Online
O anúncio nesta segunda (dia 15) da descoberta do planetóide Sedna, que pode ser o 10º planeta do Sistema Solar, certamente não vai afetar em nada a vida na Terra, exceto a dos astrólogos e a dos virginianos que acreditam em astrologia.

O motivo é que há pelo menos três décadas é aguardada a descoberta do verdadeiro regente do signo de Virgem. Esse signo é co-regido por Mercúrio (que, na verdade, é regente por direito de Gêmeos). Muitas linhas astrológicas questionam há anos a, digamos, "legalidade" dessa regência do chamado planeta da Sabedoria (Mercúrio) sobre os virginianos.
Não que, astrologicamente, os virginianos não sejam considerados inteligentes. Pelo contrário. O são --e muito. Mas as características de Virgem (signo de terra) apontavam, antes da inteligência em si, uma relação muito maior com organização, (boa) saúde, um sistema imunológico ativo e, portanto, a capacidade maior de cura.
Daí a "esperança" de que Sedna seja finalmente o verdadeiro "padrinho" dos virginianos. O que isso significará para a vida dos que nasceram sob esse signo, ninguém sabe. Provavelmente, nada.
Mas o mesmo "frenesi astrológico" ocorreu em 1978, quando astrônomos descobriram o pequeno Caronte próximo a Plutão (o 9º planeta). Inicialmente Caronte (na mitologia, o barqueiro que levava almas para o inferno) foi "saudado" como o 10º planeta e, portanto, alçado imediatamente ao posto do esperado regente de Virgem.
Mais tarde descobriu-se que o suposto planeta seria, no máximo, um satélite de Plutão. Perdeu o "cargo", portanto.
É bom lembrar que tudo isso não passa de lazer e fantasia para qualquer cientista sério ou cidadão usuário de um mínimo de lógica cartesiana, de racionalidade. Porque não há nenhuma observação empírica ou tabulação de dados ou estatísticas que dêem qualquer valor científico à astrologia.
Além disso, a astrologia sempre deixa uma porta aberta. Se o "problema" dos virginianos tiver sido realmente resolvido com Sedna, ainda falta a descoberta do 11º planeta.
Isso porque, assim como Virgem pegou "carona" na regência do geminiano Mercúrio, os librianos também padecem porque são co-regidos por Vênus (que é o regente de fato de Touro).
Portanto, para muitos astrólogos "incansáveis", Sedna não é o fim da linha. Agora falta encontrar o regente verdadeiro de Libra. Falta o 11º planeta do Sistema Solar.
Escrito por Rodrigo Farias às 12h44
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, JACAREPAGUA, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura, Filosofia, espiritualidade, game music ICQ - 24726458
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