Divagações
   Tragédia

Finou-se meu HD, com apenas um aninho e pouco de idade. Com ele, foram-se meses e meses de vida virtual, incluindo endereços de email e Internet, apostilas de aula, textos inumeráveis, softwares etc.

É triste a despedida. Que a lixeira lhe seja leve.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h50
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   O Espectro Político

Um dos instrumentos mais curiosos da Internet no que diz respeito  a ideologias políticas é o teste oferecido pelo site The Political Compass. Trata-se de um questionário para indicar o posicionamento do visitante no espectro político, entendido ali como formado por dois eixos: o econômico, com as tradicionais esquerda e direita; e o da liberdade social, que vai de libertário a autoritário. Além do teste, oferecem-se como exemplos o posicionamentos de certas celebridades no espectro, como Gandhi, Mandela e Hitler, mostrando como certas idéias do senso comum sobre eles devem ser reavaliadas. O velho Adolf, por exemplo, embora estivesse no extremo autoritário do espectro da liberdade, junto com seu inacreditável aliado ocasional Stálin, estava bem menos à direita no eixo econômico do que Margareth Thatcher. Mas certamente não era, por outro lado, o socialista disfarçado que tanto liberais proclamam.

Meus índices foram -4,75 na economia e -3,33 na liberdade, o que me classifica como "libertário de esquerda" (não confundir com anarquismo). Embora o teste não possa ser considerado uma medida absoluta (as respostas oferecidas nesses questionários são sempre limitantes), parece-me uma ótima idéia nestes tempos de confusão, em que "liberal" é esquerda num país e direita no outro, e libertário ora é anarquista, ora é qualquer um que não seja queira, por exemplo, usar o Estado para impor a moral religiosa que professa.

Abaixo, o gráfico utilizado.

 

 

 

 

Meu posicionamento seria mais ou menos o de Gandhi, embora um pouco mais à direita. Curiosamente, muitos de meus amigos ficariam bem à direita, um ou outro em algum grau moderado do plano autoritário. Isso me sugere que o peso dessas posições ideológicas no meu círculo social (arrisco-me a dizer que também na maior parte da minha geração) definitivamente não é o que já foi para gerações anteriores. Penso que isso é muito bom, por um lado, por não condicionar relacionamentos pessoais a posturas públicas -- justamente o que torna infernal a companhia de tantos militantes; mas, por outro, eu me pergunto se não haveria aí também um sintoma, embora positivo, do tão falado esvaziamento político da juventude, uma indiferença às causas que um dia mobilizaram multidões e, com elas, a perspectiva de tornr este um mundo melhor.



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h09
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   Escrita

“Escrever! Poder escrever! Isto significa o longo devaneio diante da folha em branco, o rabiscar inconsciente, o brincar da pena que gira em torno do borrão de tinta, que mordisca a palavra imperfeita, enche de garras, de flechazinhas, orna-a de antenas, de patas, até que venha a perder a sua figura legível de palavra, metamorfoseada que foi em fantástico inseto, borboleta-fada que alçou seu vôo.

 

Escrever... É o olhar fixo, hipnotizado pelo reflexo da janela sobre o tinteiro de prata, é a divina febre que assoma às faces, à fronte, enquanto uma bem-aventurada morte gela sobre o papel a mão que escreve. É também o pleno olvido da hora, a indolência no macio divã, essas bacanais do espírito inventivo donde saímos curvados, embrutecidos, mas já recompensados, mensageiros dos tesouros que, sob o pequeno círculo de luz que a lâmpada descreve, serão entornados na página virgem...

 

Escrever! Tentação de purgar raivosamente tudo de mais sincero que nos vai pela alma adentro, e rápido, com aquela rapidez que faz a mão relutar e protestar contra o deus impaciente que a guia... depois encontrar, no dia seguinte, em vez do ramo de ouro, miraculosamente desabrochado na hora flamejante,  um espinheiro seco, uma flor abortada...

 

Escrever! Gozo e sofrimento dos ociosos! Escrever! ...Bem que experimento, de tempos em tempos, essa necessidade, intensa como a sede no verão, de anotar, de exprimir... E pego então da pena, para dar início àquele jogo perigoso e traiçoeiro que, através do bico duplo e flexível, apanha e fixa o mutável, o fugaz, o apaixonante adjetivo...”

 

 

Gabrielle S. Collette, A Vagabunda



 Escrito por Rodrigo Farias às 18h34
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   Insatisfação

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos."

William Shakespeare



 Escrito por Rodrigo Farias às 12h04
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